Para ler as LETRAS que foram adaptadas a algumas CANÇÕES mais em voga na época

entre
1967
&
1973

joraga.dos1001deNÓMIOS
apresenta in
aminhaTEIAinterminávelnaREDEilimitada

Uma colectânea de CANÇÕES adaptadas que estiveram em voga entre os militares que estiveram no Norte de MOÇAMBIQUE nas décadas de 60 - 70 do Século XX

Para ouvir algumas das músicas que foi possível recuperar, em especial, as gravadas na Rádio Metangula da Marinha em 1970

contacto © joraga.net ® - 2002.09 aminhaTEIAnaREDE - início 2000.05 - joraga2000 - apoio: M. Cruz

Cancioneiro II
(a seguir em breve)

Cancioneiro III
(a seguir em breve)

 

CANCIONEIRO DO NIASSA

00 - APRESENTAÇÃO

Glossário

O CANCIONEIRO DO NIASSA

uma INTRODUÇÃO - EXPLICAÇÃO ou várias...

  

INTRODUÇÃO - com as PALAVRAS de ABERTURA recuperadas duma gravação realizada pelo pessoal da Marinha em 1969 e que circulou em cassetes em 1970 e pod ser ouvida com a primeira canção do FADO DO CHECA. 

(Palavras originais do Cancioneiro do Niassa que pode ouvir juntamente com a 1ª Canção)
O cancioneiro do Niassa é uma colectânea de fados, que tem como assunto central a vida dos militares em serviço nesse distrito do Norte de Moçambique durante os últimos anos da década de sessenta.
Os autores das letras, que as adaptaram a melodias em voga nessa época, são desconhecidos, apenas se sabendo que pertenceram aos diversos ramos das Forças Armadas, nelas ocupando variadas funções e postos.
Esta diversidade de origens faz, contudo, realçar uma unidade temática, fa- cilmente detectada através de todas as letras. E é nessa unidade que reside, precisamente, o maior interesse folclórico e documental do Cancioneiro, como testemunha duma época e como tradução do sentir daqueles que a viveram.

INTRODUÇÃO - com as PALAVRAS de ABERTURA de "O BATALHÃO - Batalhão de Caçadores 1891 - Número especal 2000 - CANÇÕES DO NIASSA, Edição da Revista O BATALHÃO, Coordenador Manuel Pedro Dias, ano 2000.

Pensamos que, com estas estrofes, que sabem ao salgado do mar que cruzámos e têm o sabor das lágrimas derramadas, prestamos justiça às vozes que aparentemente se calaram, mas estão afinal bem vivas nos anais duma História ainda por narrar.
Não damos razão àqueles que afirmam que os soldados portugueses em África se limitaram a cumprir, com passividade, um dever que lhes foi imposto. Na realidade, eles assimilaram uma epopeia que foi muito além duma questão de dever pátrio, para configurar e enaltecer os valores do Homem, qualquer que fosse a sua latitude, cultura ou condição.
Nestas palavras fica a rebeldia daqueles que não se sujeitaram ao servilismo, voltando a escrever com a sua gesta e o seu sofrimento algumas páginas ímpares da História portuguesa.

A Nossa INTRODUÇÃO

O LUNHO, uma zona quase desconhecida ao Norte de Moçambique, e o HINO DO LUNHO, a partir da CANÇÃO - OS VAMPIROS de ZECA AFONSO, devem ter dado origem, julgamos nós, a um fenómeno dos mais originais, criativos e significativos que aconteceram na GUERRA DO ULTRAMAR. Claro que deve ter começado antes, e continuado depois, mas foi com o nosso BATALHÃO de ARTILHARIA 2838, e a COMPANHIA de ARTILHARIA 2325, que este fenómeno se desenvolveu e depois foi divulgado pela Marinha (a famigerada MARINHA DE ÁGUA DOCE sediada em Metangula que até tinha ar condicionado, rádio e tudo...), que este fenómeno adquiriu a sua projecção especial.      

Foi esta CART 2325 que herdou esta versão dos VAMPIROS do alferes Herculano de Carvalho da 1ª Companhia de Engenharia que estva sediada no LUNHO em Maio de 1968, na altura em que foram rendidos pela CART 2325 do nosso BART 2838. Consta, conta-se que este rapaz, um tanto forte a dar p’ró gordo, era a calma em pessoa, e, era um génio em aplicações práticas de engenharia. Num atascanso, por exemplo, (Não sabem o que é?) em vez de pôr a malta a puxar à bruta, sentava-se a calcular a força e a posição do pequenos Unimogs e, aí estava uma pesada Berliet fora do buraco!!!. Consta ainda, conta-se, que, enquanto os Unimogs puxavam e não puxavam, se sentava encostado ao tronco de um enorme embondeiro, (Também não sabem o que é?) e no fim, estava mais uma canção feita. Quando lhe vinham trazer a notícia, que ele já sabia, de que a Berliet estava desatascada, ele, displicente, puxava da viola e aí estva mais um fado ou uma canção, uma adaptação! Era uma maneira original e “subversiva”!? de encarar a guerra! Ora isto, creio eu, deu origem a algo singular que, passados vinte anos, vinte e cinco, trinta... ainda não foi percebido. Talvez o venha a ser.

Há ainda uma nota a acrescentar. Este Alferes Carvalho era conhecido na guerra como o CARVALHO CEM, porque rondava os cem quilos e para se distinguir de outros: o CARVALHO 90 e o CARVALHO 80, que eram como ele, alferes na mesma 1ª Companhia de Engenharia.

Soubemos ainda, por informação do amigo Manuel Pedro Dias, do BCAÇ 1891, que o Dr. Herculano de Carvalho leccionou na Universidade de Faro, pelo menos até 1995, onde terá falecido. Fica AQUI a NOSSA HOMENAGEM.

NOTA IMPORTANTE:

(A pedido (ameaça!?) registado no eMail que se segue aí fica a reposição da VERDADE HISTÓRICA do Senhor Amadeu que foi uma testemunha ao vivo.)

De: Amadeu Neves da Silva
Data: 02/03/09 22:26:24
Para: joraga@netcabo.pt
Assunto: Hino do Lunho

Olá Joraga

Sou, Amadeu Neves da Silva, Ex. Furriel Milº da CCAÇ 1558 do BCAÇ 1891.
Vivo em Almada, o meu contacto é 965407583.
Há meses entrei no seu blog ???) e constatei a inverdade e a versão romanceada sobre o Ex. Alferes Carvalho 100. Já o alertei para repor a verdade.
Digo e repito não foi a CART 2325 que divulgou o Hino do Lunho. Ele foi feito na picada entre Nova Coimbra e o Lunho.
Em Março de 1967, estava estacionada em Nova Coimbra uma CENGª, comandada pelo Cap. Cepêda que tinha por missão fazer a picada para o Lunho e o aquartelamento em Miandica. De Março a Junho quem fez a segurança à Engenharia foi a 1558 e em Miandica e 1 Grupo de Combate da 1559.
Em Junho de 67 chegou a N. Coimbra a 1ª Cª do BCAÇ 16 do recrutamento da Província. Esta Compª rendeu a 1558 na segurança à Engª. ficando a 1558 com a missão de quadricula e com os destacamentos de Messumba e de Miandica.
E é aqui entre Nova Coimbra e o Lunho, em Bivaque, que é na minha presença que é feito o Hino do Lunho.
Quando o então Brigadeiro Costa Gomes e a sua comitiva foram ver a picada o Hino foi-lhe cantado.
Em Novembro de 1967 chegam ao fim as obras da picada e em paralelo a construção do aquartelamento do Lunho. Nele ficaram instalados a 1ªCª do BCAÇ 16 e a 2ª CENGª do recrutamento da Província.
Nos finais de Dezembro de 1967 aquando do regresso do meu G.Combate a N. Coimbra vindo de Miandica, estas 2 Companhias ainda estavam no Lunho e ainda não tinha começado a obra da ponte sobre o Rio Lunho.
Na época a 2ª Cª. Comandos, comandada pelo Falecido Capº Valente, andava muito por aquelas paragens e levou consigo o Hino para Vila Cabral e daqui expandiu-se por todo o Niassa.
Quando fomos rendidos pela CARTª 2324, em Fevereiro de 1968, regressámos à Zambézia e em todo o trajecto ouvíamos e cantámos o Hino. Ele já era bem popular entre os Militares, talvez não entre os Checas.
Em Maio de 1968 regressámos ao Niassa. Tivemos algum tempo em Vila Cabral onde o sucesso do Hino era enorme.
No mesmo mês fomos fazer intervenção a Nova Viseu, onde estavam os checas da CARTª 2374, eles gostaram do Hino do Lunho e do "TOMBE LA NEIGE". Esta canção não lhe deve dizer nada.
A respeito da força do Alf. Carvalho 100 ele era um homem obeso, não tinha nem pouco mais ou menos a força e o poder que o JORAGA quer fazer crer.
Mais uma vez lhe peço: reponha a verdade histórica.

Um abraço

Amadeu Silva

Por favor consulte o blog www.bcac1891.blogspot
e abra os livros da 1558 e 1559 e vai reviver algumas coisas e algo sobre a morte do soldado Fernandes.

        Naquele tempo, e nos anos da revolução, os heróis foram aqueles que desertaram e depois se locupletaram com os louros e proventos da REVOLUÇÃO. Este fenómeno de contestação daqueles que não quiseram ou não puderam “desertar” porque não podiam fugir, e, mesmo assim, não abdicavam do seu poder crítico e da sua maneira de ver as coisas, é algo que é preciso entender como forma “normal” do comportamento humano, em situações de risco e de “irracionalidade” e “injustiça” normalizada, institucionalizada e legalizada.

        Esse acontecimento singular, com a conivência de alguns dirigentes e oficiais (os do 25 de Abril não vieram do nada!), deu origem, passado um ou dois anos, a uma coisa que se chamou - O CANCIONEIRO DO NIASSA -.

        Com as melodias das músicas mais em voga nesse tempo, finais dos anos sessenta, de que nos recordávamos, alguns dos nossos colegas do BATALHÃO e de outros, e os vizinhos da MARINHA, criaram letras que cantámos e punham toda a gente a cantar, tentando gritar a nossa raiva, insatisfação e impotência, e, ao mesmo tempo, nos proporcionaram momentos de inesquecível convívio que teriam repercussões e efeitos imprevisíveis!

        Não raro, passou mesmo a ser de bom tom, (ali no mato aconteciam coisas estranhas!!!), convidar um BALADEIRO (soldado, furriel, sargento, oficial...!) que se apresentava estoirado de uma operação no mato, para cantar aquela versão do fado (...!?), ao ao senhor General, Almirante ou Brigadeiro que estavam ali de passagem, para inspecção ou em viagem de rotima...!

        A maior parte dos autores, sobretudo na altura como é compreensível, eram ou ficavam desconhecidos. Era natural. Todos ali sabíamos quem eram, mas o facto de terem saído umas letras nuns jornais com nomes e tudo e o zelo da PIDE e outras organizações, recomendavam que aquilo aparecesse como um fenómeno colectivo e expontâneo como acontece com a poesia popular e tradicional que, sendo de todos, não são de ninguém como as “Cantigas da Rua...”

        Foram muitos os que contribuiram para este CANCIONEIRO. Não temos sequer a pretensão de estar convencidos que temos todas e as mais profundas.

        Estamos no entanto convencidos de que, pela variedade de autores, temas e melodias facilmente identificáveis pelos que têm acesso ao que estava em voga nos anos sessenta, setenta, temos, de facto algo de valor documental que pode mostrar o retrato de uma época e de uma maneira de ser e estar própria de um número significativo de pessoas que, não tendo posições de relêvo, têm a sua maneira de intervir na história.

        Quem tiver oportundade de ouvir uma famigerada cassete que circulou “clandestina” de mão em mão com o CANCIONEIRO DO NIASSA e ter acesso a uma recolha como esta ou outras similares, pode aperceber-se do cuidado que tinham, em não ofender “ouvidos atentos” e perigosos que sempre estavam por perto!

        E não eram só os da PIDE ou similares. Eram até os zelosos defensores dos “bons costumes”, das boas maneiras e da linguagem! Claro! A linguagem é que revela os “bons” ou os “maus” costumes ou modos de pensar e estar na vida! É de notar entretatanto, que, quase todos os palavrões, (a coisa mais natural nos meios castrenses!) têm, quase sempre, uma palavra suave e digna (como “corra” em vez de “porra”, “leões” ou “colchões” em vez de “colhôes” ou “carvalho” em vez de “caralho” ou até “perriupiupiu” em vez de “puta que os pariu”) para que tudo isto pudesse ser apresentado e cantado nos salões do mais elevado requinte e até "lamentos" em vez de "esquentamentos"!!!

        É por isso, e por muito mais, que, passados VINTE E CINCO ANOS!!!, (desde 1968 – 1970) - (outro fenómeno que dara para um enorme estudo... Porquê? mais de vinte anos?) aqui fica uma recuperação daquilo que conseguimos recordar ou recuperar.

        Seguimos as recolhas feitas pelo Jornal do Batalhão de Artilharia 2838, “OS LOBOS” que esteve em comissão em Moçambique entre Janeiro, Fevereiro de 1968 e Março Maio de 1970. Até certa altura foi publicando o que aparecia, depois?... Depois, mudou o comandante! Seguimos ainda  o “HIT PARADE DO NIASSA - DESABAFOS- ” umas folhas com a menção de “REPRODUÇÃO PROIBIDA” que guardamos desde 1970 e uma cassete com o “CANCIONEIRO DO NIASSA” que, clandestina, toda a gente desse tempo sabe que só a MARINHA QUE ESTEVE EM METANGULA tinha meios e possibilidades de a realizar, até o/s cantor/es, o homem das partituras e das letras e o homem das gravações, que tiveram de fazer várias maratonas!!!

        Tentámos “dar o seu a seu dono” e identificar o maior número possível de autores das letras. Mesmo sem conseguir tudo, deixamos espaço para cada um fazer esse trabalho.

        Aí fica pois, a recolha de que fomos capazes e a hipótese de cada um a completar da melhor maneira possível.

Agora na minha TEIA na REDE http://www.joraga.net

com os contactos E-Mail: joraga@netcabo.pt e joraga@netc.pt

Ver a continuação em breve

CANCIONEIRO II
Canções do Niassa para além dos que fazem parte da Gravação da Rádio Metangula em 1969

E

CANCIONEIRO III
GRITOS DE GUERRA CONTRA A GUERRA

 

GLOSSÁRIO:

Palavras e expressões que tiveram e têm um significado especial.

Apanhado pelo clima

Era ficar maluco ou varrido da tola.

Bandece

Pequena povoação perto do Lago Niassa ou do Malawi da Administração de Maniamba.

Bazuca

A bazuca era a arma de fogo de cano largo que seria o canhão transportável (isto para leigos)...

bazuquinhas ou bazzokinhas

Por analogia(!?), no bar, a Bazuca, que até dava para escrever à estrangeiro, era a a garrafa de cerveja grande acima das minis e médias....

Berliet

O grande carro pesado para transporte de carga e, com bancos, para transporte de um pelotão ou?...

Cabeças d’oiro

Os brigadeiros e generais... os chefes.

Capim

Erva alta. Termo já percebido pela maior parte.

Checa

Era o caloiro que chegava para a guerra... fresquinho, idealista e/ou cagado de medo...

Cóbue

Pequena povoação a Norte do Niasa em frente(Este) à ilha de Likoma.

é mato

“Gente aqui é mato.” Há muita gente.

Esquentamento

As doenças venéreas derivadas da prostituição. A sífilis era o terror que esgotava os stokcs ded penincilina.

Jogar à lerpa

O jogo da batota, às cartas, em que se perdiam ordenados inteiros...

lerpar

Significava desde perder até morrer...

Licoma

Ilha em pleno Lago Niassa.

Lunho

Região interior o Oeste do Niassa que nos anos sessenta era considerada a zona isolada e de grande risco.

Machamba

Tereno de cultivo, desde o pequeno quintal à grande propriedade.

Malema

Povoação interior na ponta do triângulo do Cabo Delgado.

Marmita

Era o equipamento de cada soldado para poder receber o comer, mas aqui eram as minas anti-carro e anti-pessoal que eram o terror das deslocações que tínhamos de fazer.

Matabicho

Em princípio era o pequeno almoço à inglesa, mas pode ser um bagaço ou bebida branca ou até gorgeta... Tudo era Matabicho!

Meponda

Praticamente o porto do Lago Niassa que servia Vila Cabral, actual Lichinga.

Mutuáli

Povoação perto de Malema.

Nacala

Porto de mar ao Norte de Moçambique acim da Ilha de Moçambique.

Olivença

a última povoação a Norte do Moçambique cerca do Lago Niassa, com grande dificuldades de acesso. Só pelo Lago ou de avião.

ORDEMOVE

Termos militares para diversas ordens de serviço.

ORDOP

Termos militares para diversas ordens de serviço.

os ciclistas

O feijão frade.

Picada

Os caminhos os estradas de terra batida.

Psico

A chamada acção psicológica para aliciar as populações.

RELIM

Termos militares para diversas ordens de serviço.

RN

Reserva Naval - o equivalente aos milicianos na Marinha?

Sanzala

Qinta, propriedade, basicamente rural mas que podia ir desdde a casa de residência senhorial até oficinas, armazéns...

SITREP

Termos militares para diversas ordens de serviço.

Turra

Era o termo prático para denominar o “inimigo” ou o que se entendia por “inimigo”... como dizia um oficial de operações o que vale é que cada país tem o inimigo que merece... à nossa escala e proporção!!!” Se não!? Perante a falta de meios e falta de operacionalidade, era um autênticomilagre haver, apesar de tudo, tão poucas baixas nas fileiras do exército colonial.

Unimog

O pequeno carro, todo o terreno de caixa aberta a que se adaptaram bancos para transporte de uma patrulha.

 

 

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